Lesão na coluna por esforço repetitivo: quais são os direitos do trabalhador?

Lesão na coluna por esforço repetitivo quais são os direitos do trabalhador

A lesão na coluna por esforço repetitivo pode afetar diretamente a capacidade do trabalhador para exercer suas atividades profissionais. Movimentos realizados continuamente, levantamento de peso, postura inadequada, esforço físico frequente e determinadas condições de trabalho podem contribuir para o surgimento ou agravamento de problemas na coluna.

Em algumas situações, quando existe relação entre a doença e a atividade profissional, o problema pode ser analisado como doença relacionada ao trabalho. A legislação previdenciária considera como acidente do trabalho, para determinados efeitos, tanto a doença profissional quanto aquela adquirida ou desencadeada em função das condições especiais em que o trabalho é realizado e que se relacione diretamente com ele.

Isso pode ter consequências importantes para o trabalhador, inclusive em relação aos benefícios previdenciários. Entretanto, ter uma lesão na coluna não significa automaticamente que haverá direito a determinado benefício. É necessário analisar o diagnóstico, a capacidade para o trabalho, a relação com a atividade profissional e as particularidades de cada caso.

Lesão na coluna por esforço repetitivo pode ser considerada doença do trabalho?

Dependendo das circunstâncias, sim.

A legislação previdenciária reconhece como doença do trabalho aquela adquirida ou desencadeada em função das condições especiais em que o trabalho é realizado e que tenha relação direta com a atividade profissional. Também existem situações em que o trabalho não é a única causa, mas contribui diretamente para a redução ou perda da capacidade laboral.

Por isso, no caso de uma lesão na coluna por esforço repetitivo, não basta observar apenas o diagnóstico médico.

É importante analisar como o trabalho era realizado.

Imagine, por exemplo, um trabalhador que durante anos realiza diariamente atividades envolvendo levantamento e transporte de cargas. Outro profissional pode permanecer por longos períodos em determinada posição ou executar repetidamente movimentos que exigem esforço da coluna.

Se surgir uma doença ou houver agravamento de uma condição já existente, pode ser necessário investigar se as condições de trabalho contribuíram para o problema.

Quais problemas na coluna podem afetar a capacidade para o trabalho?

Existem diferentes doenças, lesões e alterações na coluna que podem provocar limitações.

Entre as situações que podem aparecer em trabalhadores submetidos a esforços físicos estão:

  • Hérnia de disco;
  • Protusões ou alterações discais;
  • Lombalgia;
  • Cervicalgia;
  • Limitação de movimentos;
  • Dores persistentes associadas a alterações na coluna;
  • Comprometimentos que dificultem levantar ou transportar peso;
  • Outras alterações que possam interferir na atividade profissional.

A existência de um diagnóstico, entretanto, não determina sozinha o direito a um benefício previdenciário.

Duas pessoas com o mesmo problema na coluna podem apresentar consequências profissionais completamente diferentes.

Um trabalhador que exerce atividade administrativa pode ter determinadas limitações, enquanto alguém que trabalha diariamente carregando peso, realizando movimentos repetitivos ou permanecendo em posições que exigem grande esforço físico pode enfrentar impactos diferentes.

Por isso, o INSS analisa também a incapacidade ou redução da capacidade para a atividade profissional, conforme o benefício discutido.

Quem tem lesão na coluna pode receber benefício do INSS?

Pode, desde que os requisitos do benefício correspondente sejam preenchidos.

Quando a condição deixa o segurado temporariamente incapaz para o trabalho ou para sua atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos, pode haver possibilidade de auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença. A incapacidade precisa ser comprovada na avaliação realizada pelo INSS.

Se a incapacidade for permanente para qualquer atividade laboral e não houver possibilidade de reabilitação para outra profissão, pode ser analisada a aposentadoria por incapacidade permanente.

Há ainda situações envolvendo sequelas definitivas e redução da capacidade laboral que podem levar à análise do auxílio-acidente, observados os requisitos específicos desse benefício.

Portanto, não existe um único benefício para todos os trabalhadores que apresentam problemas na coluna.

A situação precisa ser avaliada de acordo com as consequências da doença e o histórico previdenciário do segurado.

É preciso comprovar que a lesão tem relação com o trabalho?

Quando se pretende caracterizar a condição como doença relacionada ao trabalho, demonstrar essa relação é um ponto importante.

Nesse caso, podem ser analisadas informações como a função exercida, as atividades realizadas diariamente, o tempo de exposição às condições de trabalho, os movimentos executados e a documentação médica existente.

Não basta simplesmente afirmar que a dor começou durante o período em que a pessoa estava trabalhando.

É necessário avaliar se existem elementos capazes de demonstrar que as condições profissionais contribuíram para o surgimento ou agravamento da doença.

A legislação também estabelece que determinadas doenças, como as de natureza meramente degenerativa, não são automaticamente consideradas doenças do trabalho. Por isso, a origem e as circunstâncias de cada condição precisam ser analisadas individualmente.

Quais documentos podem ajudar a comprovar o problema?

A documentação médica é importante tanto para demonstrar a condição de saúde quanto para permitir uma análise das limitações enfrentadas pelo trabalhador.

Podem ser relevantes:

  • Atestados médicos;
  • Laudos e relatórios médicos;
  • Ressonâncias magnéticas;
  • Radiografias e outros exames de imagem;
  • Prontuários médicos;
  • Receitas e registros de tratamentos realizados;
  • Documentos relacionados à atividade profissional;
  • Carteira de trabalho;
  • Documentos que indiquem a função exercida;
  • Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), quando aplicável;
  • Outros documentos relacionados às condições em que o trabalho era realizado.

No pedido de benefício por incapacidade temporária, o INSS informa que documentos médicos, como atestados, exames e laudos, são utilizados para demonstrar a condição de saúde e a incapacidade alegada.

Quanto mais completa estiver a documentação, mais elementos existirão para compreender o histórico da doença e suas consequências profissionais.

O trabalhador precisa parar de trabalhar?

Depende da situação.

Se a lesão provocar incapacidade temporária para o exercício da atividade habitual, pode ser necessário afastamento e análise de um benefício por incapacidade.

O auxílio por incapacidade temporária é destinado ao segurado que comprove incapacidade temporária para o trabalho ou atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos, observados os demais requisitos.

Por outro lado, existem situações em que o trabalhador consegue retornar à atividade, mas permanece com uma sequela definitiva que reduz sua capacidade laboral.

Nesses casos, pode ser necessário avaliar se estão presentes os requisitos do auxílio-acidente. Esse benefício possui natureza indenizatória e, quando devido, não impede que o segurado continue trabalhando.

Lesão na coluna pode dar direito ao auxílio-acidente?

Em determinadas situações, pode haver essa possibilidade.

O auxílio-acidente é destinado a categorias específicas de segurados quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente, permanece uma sequela definitiva que reduz a capacidade para o trabalho habitualmente exercido.

Por isso, a análise não deve se limitar à existência de dor ou ao diagnóstico de uma doença na coluna.

É necessário verificar se existe uma sequela permanente e se ela provoca efetivamente redução da capacidade para o trabalho habitual, além dos demais requisitos previdenciários.

Também é importante observar a categoria do segurado. Pelas regras atuais do INSS, empregado urbano ou rural, empregado doméstico nas hipóteses previstas, trabalhador avulso e segurado especial estão entre as categorias que podem receber auxílio-acidente. Contribuinte individual e facultativo não estão abrangidos atualmente.

E se a lesão impedir definitivamente o trabalhador de exercer sua profissão?

Uma limitação permanente não significa automaticamente aposentadoria.

Quando o segurado apresenta incapacidade permanente, o INSS avalia também a possibilidade de reabilitação para outra atividade profissional.

A aposentadoria por incapacidade permanente é destinada ao segurado considerado permanentemente incapaz para exercer atividade laboral e que também não possa ser reabilitado em outra profissão.

Em outras situações, o trabalhador pode ser encaminhado para Reabilitação Profissional, serviço voltado à adaptação ou readaptação para possibilitar o retorno ao mercado de trabalho.

Por isso, novamente, o diagnóstico da coluna não é suficiente para determinar qual será o benefício.

Doença do trabalho pode trazer outros direitos ao empregado?

Quando o afastamento é reconhecido como decorrente de acidente ou doença relacionada ao trabalho, podem existir diferenças em relação ao benefício previdenciário comum.

Segundo o INSS, no benefício por incapacidade temporária de natureza acidentária, há situações envolvendo ausência de carência, depósitos de FGTS durante o período de recebimento e estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno, conforme a categoria e os requisitos aplicáveis.

Por isso, identificar corretamente se existe ou não relação entre a doença e o trabalho pode produzir efeitos além do próprio benefício recebido durante o afastamento.

Cada situação, entretanto, deve ser analisada individualmente.

E se o INSS negar o benefício?

A negativa do INSS não significa necessariamente que o trabalhador não possui direito.

É importante verificar qual foi o motivo apresentado para o indeferimento.

O Instituto pode entender, por exemplo, que não existe incapacidade para o trabalho, que os documentos médicos são insuficientes ou que não ficou demonstrada a situação necessária para o benefício solicitado.

Dependendo do caso, pode ser necessário complementar a documentação ou analisar as possibilidades administrativas e judiciais existentes.

Por isso, exames, laudos, relatórios médicos e documentos relacionados à atividade profissional devem ser preservados.

Quem pode ajudar a analisar o caso?

Um profissional especializado em Direito Previdenciário pode avaliar o histórico profissional e previdenciário do trabalhador, a documentação médica e as circunstâncias em que a doença surgiu ou se agravou.

Essa análise pode ajudar a identificar se existe relação entre a lesão na coluna por esforço repetitivo e a atividade profissional, além de verificar quais benefícios previdenciários podem ser discutidos de acordo com as consequências da condição.

Também podem ser avaliados documentos, períodos de afastamento, benefícios anteriormente recebidos e eventuais sequelas que permaneceram após o tratamento.

Conclusão

A lesão na coluna por esforço repetitivo pode trazer consequências importantes para a vida profissional e, em determinadas situações, pode estar relacionada às condições em que o trabalho é realizado.

Quando a doença provoca incapacidade temporária, pode existir a possibilidade de benefício por incapacidade. Se permanecer uma sequela definitiva que reduza a capacidade laboral, o auxílio-acidente também pode precisar ser analisado, desde que preenchidos seus requisitos específicos. Em situações de incapacidade permanente sem possibilidade de reabilitação, outras proteções previdenciárias podem ser avaliadas.

No entanto, ter hérnia de disco, dores na coluna ou outra alteração não gera automaticamente direito a um benefício.

É necessário analisar a atividade exercida, as limitações provocadas pela doença, a relação com o trabalho, a documentação médica e o histórico previdenciário de cada trabalhador.

Fale com a Nayara do Carmo Advocacia

Você desenvolveu ou agravou uma lesão na coluna e acredita que o problema pode estar relacionado ao seu trabalho?

A Nayara do Carmo Advocacia pode analisar seu histórico previdenciário, sua atividade profissional e a documentação médica para orientar sobre os direitos e benefícios que podem ser aplicáveis ao seu caso.

Entre em contato com a Nayara do Carmo Advocacia e saiba mais sobre seus direitos perante o INSS.

Compartilhar:

Veja mais publicações

Auxílio-Acidente negado pelo INSS o que fazer
Auxílio Acidente

Auxílio-Acidente negado pelo INSS: o que fazer?

Ter o Auxílio-Acidente negado pelo INSS não significa automaticamente que o trabalhador não tenha direito ao benefício. O mais importante é compreender por que o pedido foi indeferido e verificar se os requisitos estão presentes e devidamente comprovados.